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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Conheça a Realidade Sobre os "Inusitados" e "Macabros" Casos Envolvendo o Recém-Lançado Jogo "Pokémon Go" (Atualizado 12/07)


Se  houve um assunto que poderíamos dizer que prevaleceu no Youtube durante o último fim de semana, com certeza seria o recém-lançado jogo chamado "Pokémon Go". O jogo foi lançado oficialmente na quarta-feira passada (6) nos Estados Unidos, Japão, Austrália e Nova Zelândia, ou seja, o Brasil, bem como todo o restante do mundo têm que esperar um pouco para jogá-lo oficialmente. Porém, vocês sabem que sempre surgem métodos "alternativos" quando há um bloqueio ou uma imposição na internet. Tais métodos rapidamente foram difundidos, e pessoas do mundo todo conseguiram baixá-lo tanto pela Google Play Store (Android) quanto pela App Store (iOS). Como resultado dessa verdadeira febre que tomou conta das pessoas, principalmente devido as centenas de canais de Youtube publicando "gameplays", e mostrando a divertida e empolgante experiência com o "Pokemon Go", os servidores do jogo começaram a ficar extremamente instáveis, apresentando uma grande lentidão, e caindo a todo momento. Isso forçou aos desenvolvedores a fazerem uma pausa no lançamento do jogo em outras partes do mundo, impedindo o acesso das pessoas, que não estivessem nas regiões em que o jogo foi inicialmente lançado.

O "Pokémon Go" foi desenvolvido em conjunto pela Niantic e pela Pokémon Company, na qual a Nintendo tem um terço de participação. Aliás, esse era um dos lançamentos mais aguardados entre os fãs da franquia de jogos de videogame lançada pela Nintendo há 20 anos. E isso tudo se traduziu em números. Após amargar no ano passado uma queda nos lucros de 61%, quinto ano consecutivo de queda, a Nintendo buscou uma reposição estratégica à medida que o nicho de consoles, ao menos para a empresa, vinha se tornando obsoleto diante dos jogos on-line. Na última sexta-feira (8), as ações da Nintendo saltaram cerca de 9%, o maior nível em mais de dois meses, o que conferiu à empresa um valor de mercado de cerca de US$ 23 bilhões (cerca de R$ 76 bilhões). Analistas também citaram que o potencial de monetização criado pelas compras dentro do jogo é melhor que o esperado, visto que o mesmo permite a compra, com dinheiro de verdade, de pokébolas, incensos (para atrair os pokémons na vizinhança), ovos de pokémons, incubadoras para fazê-los chocar, entre outros itens especiais.

Basicamente, o "Pokémon Go" é um jogo de realidade aumentada (termo utilizado quando a realidade se mistura com um elemento de ficção por meio de um dispositivo tecnológico). Os jogadores se tornaram treinadores que saem à caça dos pokémons. O mesmo usa a câmera do celular para posicionar monstros virtuais no ambiente ao redor dos jogadores, e o GPS do aparelho para mostrar onde eles se escondem. Se quiser procurar pokémons pelas ruas da sua cidade, o mais recomendável é conectar-se à rede móvel (a conexão com a internet é um pré-requisito necessário, e praticamente indispensável) . Somando isso ao uso do GPS, da câmera, e de algumas funções pesadas da CPU para processar animações, o jogo acaba por esgotar a bateria de um smartphone com muita facilidade e rapidez. Contudo, isso nem chega perto dos maiores problemas em relação ao jogo: os riscos de acidentes, situações de perigo, e violência que as pessoas estão se envolvendo ao utilizar o jogo. No meio disso tudo, é claro, surgiram casos de pessoas que teriam capturado "pokémons fantasmas" em funerais e velórios, e até mesmo que encontraram um cadáver humano em um determinado rio nos Estados Unidos. Isso sem contar os supostos acidentes de trânsito, e inclusive disseram que os "Simpsons" teriam previsto o jogo "Pokémon Go" em um dos seus episódios. No entanto, será que todos esses casos são verdadeiros? Será que não tivemos pessoas contando essas histórias apenas para ganhar um pouco mais de notoriedade? Vamos saber mais sobre esse assunto?

Em nossa pequena introdução acima descrevemos basicamente o essencial para que vocês entendam um pouco mais sobre as razões pelas quais o jogo vem se tornando uma febre mundial. Porém, faltou explicar um pouco melhor sobre um detalhe em particular, para que vocês entendam os riscos da utilização do jogo/aplicativo, principalmente pelo público infanto-juvenil.

O jogo leva seus usuários a procurar pokémons em museus, parques, esquinas, no banheiros de suas casas, no porta-luvas do carro, delegacias de polícia, etc. Resumindo, os pokémons teoricamente podem aparecer em qualquer lugar, e a qualquer momento. Aliás qualquer estabelecimento, repartição pública, igreja, restaurante, entre outros, pode virar um "Pokéstop" (local onde os jogadores podem conseguir itens especiais, especialmente pokébolas, essenciais para caputrar os pokémons) da noite para o dia, indepentemente do índice de criminalidade da região em que a pessoa morar ou estiver frequentando em busca de pokémons virtuais. Entenderam a gravidade da história? Assistam a uma espécie de trailer do jogo "Pokemon Go", muito embora não seja bem assim na realidade:



Alguns usuários através do Twitter já alertaram que a utilização do "Pokémon Go" pode elevar o índice de sequestro de menores de idade, que por ventura saiam escondido de casa para se aventurar pelas ruas de suas cidades durante a madrugada. Será uma questão de tempo até "pipocarem" notícias de pessoas foram vítimas de algum tipo de violência, atropelamentos e quedas, por estarem mais focados em olhar para a tela do celular do que está realmente ao redor delas. Ciente da confusão e considerando isso como um lucro a mais, a Nintendo lançará  um assessório chamado "Pokémon Go Plus", que avisará aos jogadores quando eles estiverem próximos de um pokémon, para que não fiquem vidrados na tela do celular, e evitem acidentes. Isso não impediu, é claro, que um festival de supostos acontecimentos "inusitados" e até mesmo "macabros" envolvendo o jogo "Pokémon Go" acontecesse em menos de uma semana do seu lançamento. É justamente sobre esses casos que iremos comentar a partir de agora.


"Os Simpsons" Previram o Lançamento do Jogo "Pokémon Go"?


Muito provavelmente você já ouviu falar de "Os Simpsons", uma série de animação norte-americana, que consiste em uma paródia satírica do estilo de vida da classe média dos Estados Unidos. A série criada por Matt Groening já foi apontada diversas vezes por ter supostamente "previsto" alguns estranhos acontecimentos em nosso mundo. Apesar de grande parte dessas previsões serem apenas distorções de fatos ocorridos antes ou durante a produção das temporadas, muita gente acredita no ocultismo que a série poderia ter por trás do humor. Fato é que os episódios demoram cerca de 6 meses para ficarem prontos, e assim os produtores acabam criando esquetes rápidas para o canal oficial no Youtube, com assuntos que acabam ganhando destaque, o que confunde muitas pessoas que são fãs de teorias conspiratórias.

De qualquer forma, não iremos falar de todos esses supostos casos, mas de uma recente imagem que começou a circular pelas redes sociais, dizendo que os Simpsons mais uma vez teriam previsto algo que ganharia destaque internacional: o jogo "Pokémon Go". Vejam a imagem abaixo:

Imagem que está sendo divulgada pelas redes sociais, apontando que "Os Simpsons" teriam previsto
o recém-lançado jogo "Pokemon Go"
E aí, AssombradOs, verdadeiro ou falso? Não iremos enrolar vocês, não se preocupem. Isso é mentira, visto que a foto foi manipulada digitalmente. A imagem de fundo utilizada foi extraída do segundo episódio, da 14ª temporada de "Os Simpsons", chamado "How I Spent My Strummer Vacation" ("Como passei minhas férias no Rock", em português), no qual Homer Simpson e companhia vão para um acampamento de verão "Rock and Roll". Esse episódio em questão foi exibido oficialmente em 10 de novembro de 2002, quase 14 anos antes do lançamento do "Pokémon Go". Aliás, vocês podem assistir o episódio completo e dublado através do site Uol Mais, sendo que o acesso é gratuito!

A imagem de fundo utilizada foi extraída do segundo episódio, da 14ª temporada de "Os Simpsons", chamado "How I Spent My Strummer Vacation" ("Como passei minhas férias no Rock", em português)
Essa cena em particular acontece a partir de 10:11, quando Homer aparece de cueca e camiseta segurando uma guitarra vermelha e branca nas mãos. Homer diz que não tinha conseguido dormir, e inclusive tinha pegado alguns "comprimidos" do chão. É exatamente em 10:34, que o Homer aponta para um canto do dormitório onde se encontra, indicando que estaria vendo "Jesus Cristo", evidentemente sob efeitos dos tais "comprimidos". Assista a esse trecho em específico, através um canal de terceiros no Youtube (em espanhol):



A imagem que aparece especificamente o pokémon "Pikachu" foi retirada do episódio 14 chamado "Postcards From the Wedge" ("Postais de Cunha", em português) da 21ª temporada, que foi exibido oficialmente em 14 de março de 2010, ou seja, 6 anos antes do lançamento do "Pokémon Go". Vejam a imagem abaixo:

A imagem que aparece especificamente o "Pikachu" foi retirada do episódio 14 chamado "Postcards From the Wedge" ("Postais de Cunha", em português) da 21ª temporada
Aliás, vocês também podem assistir esse episódio completo e dublado através do site Uol Mais. Essa cena mencionada acima acontece a partir de 6:46, caso vocês não queiram assistir o episódio inteiro, é claro.

Resumindo, simplesmente alguém pegou essas duas cenas, juntou as duas, e acrescentou a "mão esquerda" do personagem como se estivesse segurando um celular rodando o jogo. Simples assim! Entretanto, é importante dizer que isso nem de longe é uma previsão dos "Simpsons", certo?

Um Engavetamento de Veículos Teria Acontecido Após um Motorista Parar no Meio de um Rodovia, nos Estados Unidos?


O site de notícias CartelPress.com recentemente publicou uma notícia dizendo que um motorista chamado Lamar Hickson, 26 anos, estava sendo acusado de provocar um grave acidente de trânsito, após parar seu veículo no meio de uma rodovia para tentar capturar um pokemon chamado "Pikachu" (provavelmente quase todos vocês devem conhecê-lo), no estado norte-americano de Massachusetts.

Lamar Hickson teria admitido à polícia que ele estava jogando o recém-lançado "Pokemon Go" enquanto dirigia, dando a seguinte declaração: "Se vocês quiserem capturar todos eles, vocês tem que arriscar tudo o que têm. Coloquei o meu carro em ponto neutro, e comecei a jogar essas bolas", teria dito Lamar.

O site de notícias CartelPress.com divulgou que um engavetamento de veículos teria sido causado em virtude
do recém-lançado "Pokemon Go". Será mesmo verdade?

As acusações contra Hickson ainda eram desconhecidas, e ninguém teria sido seriamente ferido. Porém, isso levantava preocupações sobre futuros acidentes. O site disse que conversou com uma das vítimas desse acidente, que também estaria jogando o "Pokemon Go", e com um dos policiais que teria atendido a ocorrência.

"Enviar mensagens de texto enquanto se dirige já era uma questão muito séria, mas agora a combinação de 'direção' e 'Pokemon Go' pode piorar as coisas", teria dito um policial chamado Fredrick Jones, acrescentando que isso poderia dobrar ou triplicar a quantidade de acidentes.

Impressionante, não é mesmo? Entretanto, não havia nenhuma verdade nessa história, ou seja, essa notícia é falsa. O Cartel Press é mais um daqueles sites que propagam notícias falsas para atrair usuários das redes sociais, e fazer com que acessem a notícia para gerar uma receita publicitária para o mesmo.

Foto original utilizada pelo site CartelPress.com
Na verdade, a foto utilizada é de um engavamento de veículos que aconteceu na Rodovia Interestadual 25 (I-25), próxima a cidade de Denver, capital do estado norte-americano do Colorado, no mês de março de 2014. Vocês podem conferir a notícia e mais fotos desse acidente no site do jornal Denver Post.

Os Casos Envolvendo o Jogo "Pokémon Go" em Velórios e Funerais ao Redor do Mundo


Segundo o que foi divulgado sobre essa imagem abaixo, ela seria referente a captura de tela de um usuário que estaria jogando o "Pokémon Go" durante um velório. De uma maneira um tanto quanto inusitada, ele teria encontrado um "pokémon do tipo fantasma", uma "classe" por assim dizer, que foi introduzida na primeira geração. Nesse caso, em específico, seria o pokémon chamado "Gengar", a segunda evolução do pokémon chamado Gastly. Ele possui um corpo arredondado, olhos avermelhados, uma grande boca, e grandes orelhas pontudas.

Foto que vem sendo propagada pela internet como se um "pokemon fantasma"
tivesse aparecido durante um velório

Provavelmente você deve ter visto essa imagem acima (à esquerda) em algum site de notícias ou até mesmo sendo difundida através de vídeos realizados no Youtube, que visam divulgar as inusitadas situações que as pessoas vivenciaram ao jogar o "Pokémon Go", não é mesmo? A parte estranha é que essa imagem parece ter sido gerada a partir de uma outra imagem exatamente igualmente, exceto, é claro, pelo pokémon em questão. Veja o comparativo abaixo:

E então, qual das duas fotos divulgadas é a original?


E aí, AssombradOs? Qual delas é a original? Para muitos usuários na internet nenhuma dessas imagens é verdadeira, visto que essa captura de tela à direita, aquela que mostra o pokémon Pidgey (um pokémon do tipo "normal e voador"), começou a viralizar pelo Imgur (http://imgur.com/8eDyHLK) alguns dias atrás. A publicação "anônima" no Imgur possui a parte dos comentários trancada, e provavelmente por um motivo bem curioso: geralmente outras pessoas comentam e revelam a origem das fotos que foram adulteradas.

Aliás, usuários dizem que a captura de tela em que aparece o Gengar seria um modelo 3D utilizado em outro jogo de pokémon chamado "Pokémon Stadium", e não seria o mesmo utilizado no "Pokémon Go".

Vejam agora essa outra imagem que foi recentemente publicada no Imgur:

Foto de um funeral, que também viralizou pelo Imgur, onde teria aparecido um "pokémon fantasma"




A imagem acima mostra o que seria o pokémon chamado "Haunter", a primeira evolução do pokémon Gastly, ou seja, mais um pokémon fantasma. Dessa vez o mesmo estaria saindo de um caixão durante um funeral. Impressionante, não é mesmo? O autor dessa publicação, o usuário "Ifoundthething", não forneceu maiores detalhes sobre a foto, que se tornou uma mistura de comentários lamentando a perda do ente querido em questão, e até de uma pessoa dizendo que uma casa funerária próxima a sua residência estava sendo marcada como um "Ginásio Pokémon". Porém, o usuário chamado "12Parsex" estava bem mais atento, e descobriu a verdade: a foto é falsa.

Para descobrir nem é preciso ser um gênio da computação, basta digitar a palavra "funeral" no Google Images. Assim sendo, fui digitar a palavra "funeral", e olha no que deu (não resisti em dizer isso):

quarta-feira, 13 de julho de 2016


Descobrem Novos Túneis Pré-históricos Sob as "Pirâmides Bósnias"


Dez anos de investigações científicas e arqueológicas nas conhecidas como "pirâmides bósnias" trouxeram tanto momentos excitantes como reveses e críticas típicas de um tema tão sensível para a ordem ideológica da história oficial. Um dos momentos de descoberta aconteceu no final do mês passado, quando foram descobertas novas seções de túneis pre-históricos que levam para a "Pirâmide do Sol" da Bósnia.

O principal pesquisador, o Prof. Semir Osmanagich, conta: "Estava em Houston quando soube que a equipe havia descoberto um novo túnel sob a rocha. Era uma nova seção, sem estar preenchida de nenhum material, mas encontrava-se submersa sob a água. Então eu disse aos trabalhadores que parassem as escavações e esperassem a minha volta para prosseguir."

Seção inundada do túnel descoberto
"Esta não é a primeira vez que achamos seções abertas onde nenhum humano pôs os pés por um longo período de tempo. É um momento muito especial para um pesquisador quando se dão este tipo de achados. Em nosso caso, já exploramos muitas seções de túneis feitos por mãos inteligentes no distante passado. Até agora, descobrimos 1.550 metros.", explica Osmanagich.

A altura do novo túnel é de 1.20 metros. Apesar de que algumas seções estavam secas, outras apresentavam uma inundação parcial de entre 20 e 30 cm. "O túnel terminava em uma seção seca que desembocava em uma piscina natural de água limpa com um raio aproximado de 50 centímetros e uma profundidade similar", agrega o pesquisador.

Como passo seguinte, Osmanagich e sua equipe planejam limpar totalmente o túnel que leva ao sul, em direção à grande "Pirâmide do Sol", embora para isso deverão construir uma pequena ponte de 9 metros para passar pela seção mais inundada e assim abrir caminho para o resto da passagem subterrânea.

"Enquanto ainda temos que confirmar, nossa hipótese é que se trata de um labirinto, que nomeamos provisoriamente de 'Ravne', composto de inumeráveis túneis", arrisca Osmanagich.

Diagrama de como seria o "labirinto Ravne".
Semir Osmanagich junto aos membros de sua equipe
A seguir um vídeo da expedição realizada em 30 de abril passado:
https://youtu.be/7OGmwUgaLE8
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A Torre "Alien" Construída na Área 51




Uma estranha estrutura foi construída na famosa Área 51 e que é possível vê-la no Google Earth. Embora esta seja uma notícia um tanto antiga, a notícia da intrigante construção voltou a ser notificada na web recentemente.

Através das imagens de baixa resolução, se pode apreciar uma estranha estrutura escura de forma triangular. Se você quiser ver a torre por si mesmo, você pode fazê-lo introduzindo essas coordenadas no Google Earth: 37 ° 14'46.49 "N 115 ° 49'24.63" W.

A torre teria 21.33 de altura por 9.14 de largura.
Estimativas colocam o tamanho da torre em cerca de 21.33 (70 pés) de altura e 9.14 (30 pés) de largura. O Software de reconhecimento automático de estruturas do Google, classificou o edifício como uma nova torre de testes construída em 2007, mas nem todos concordam com essa explicação.

A estranha construção teria sido realizada em 2007, mas a sua finalidade é um mistério.
Devido à sua forma e tamanho incomum, entusiastas do fenômeno ovni acreditam que a torre deva ser um obelisco "alien", um farol de algum tipo, dedicado a "orientar as naves extraterrestres" que segundo rumores, pousariam regularmente na Área 51.

O que faria uma construção como essa no meio do deserto e justamente em tão secreta zona militar extremamente protegida?

Essa torre não apresenta detalhes suficientes para uma análise aprofundada. Isso é lamentável, mas nada pode ser feito e as únicas imagens disponíveis são as tomadas por satélites geoestacionários e são de baixa qualidade. O espaço aéreo acima da Área 51 é uma zona de exclusão aérea para aviões civis e severas restrições são também aplicadas no nível do solo.

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É muito provável que a chamado "torre alienígena" da Área 51 seja algo que sirva a um propósito muito mais mundano do que os obstinados teóricos da conspiração nos querem fazer acreditar, embora o secretismo em torno dessa base ultra-secreta praticamente garante intermináveis especulações sobre sua utilidade.

A Cidade Fantasma de Bhangarh e a Maldição do Homem Santo !




Acredita-se que o forte abandonado de Bhangarh seja o lugar mais assombrado na Índia, tanto é assim que é proibido acessar o lugar entre o pôr e o nascer do sol, e os habitantes locais mudaram sua cidade para fora dos limites do forte. A reputação de Bhangarh decorre de duas velhas lendas, uma das quais envolve um homem santo que supostamente amaldiçoou Bhangarh após o forte lançar uma sombra sobre a sua morada.

A cidade de Bhangarh, que está localizado na mucipalidade de Rajgarh, estado do Rajastão, foi primeiramente estabelecida em 1573 durante o reinado de Bhagwant Das como residência do seu segundo filho. O forte, que é na verdade uma pequena cidade, composta de templos, palácios e várias portas, abrange uma grande área no sopé de uma montanha. Mas apesar de sua beleza e paisagem pitoresca, o forte é rico em relatos sombrios e tornou-se completamente abandonado por volta de 1783, com habitantes locais mudando sua aldeia para outro lugar.

Apesar da beleza do forte Bhangarh, os moradores mudaram sua cidade para outro lugar e o local jaz abandonado há 200 anos.

Do outro lado do portão principal da cidade abandonada, chamada agora de Bhoot Bangla ("casa de fantasmas"), existem numerosos templos hindus e entre os mais espetaculares edifícios estão os templos de Hanuman, Gopinath, Someshwar, Keshav Rai, e o templo de Ganesh. O palácio real está localizado no extremo final dos limites do forte e era protegido por duas fortificações internas através do vale. A cidade está separada da planície por muralhas com cinco portões.

Vista da abrangência do forte Bhangarh.

As lendas de Bhangarh 

De acordo com a lenda, a cidade de Bhangarh foi amaldiçoada por um santo homem chamado Baba Balnath, que havia dado permissão para a construção da cidade desde que a altura dos edifícios não fizesse sombra sobre seu retiro. Balnath advertiu que se isso ocorresse, ele iria destruir toda a cidade. Quando um príncipe descendente mandou construir o palácio a uma altura que lançou sua sombra sobre a morada do Bhangarh, ele amaldiçoou toda a cidade. Muitos acreditam que a Balanath está enterrado lá até hoje.

A lenda diz que o santo homem, Baba Balnath, amaldiçoou Bhangarh depois que um de seus prédios lançou sombra sobre a sua morada. 

Uma segunda lenda relacionada com o lugar, conta que um súdito chamado Singhiya, estava apaixonado por Ratnavati, a princesa de Bhangarh. Singhiya colocou um feitiço em um perfume que foi comprado pela empregada da princesa, para que assim, ao tocar na poção Ratnavati se apaixonaria por ele. Mas a princesa Ratnavati viu o que o súdito estava fazendo e frustrou o seu plano. Se sentindo amargurado, o feiticeiro jogou uma maldição sobre a cidade, e muitos acreditam que seu fantasma assombra o malfadado lugar abandonado. Alguns moradores acreditam que a princesa Ratnavati reencarnou em um novo corpo e que o forte Bhangarh está aguardando o seu retorno para pôr fim à maldição.

Os habitantes locais acreditam que a princesa Ratnavati deve retornar ao forte Bhangarh para libertar a cidade de sua maldição.

Enquanto que essas lendas parecem nada mais que histórias fantasiosas, as histórias se tornaram tão amplamente relatadas, que o Archaeological Survey of India ("levantamento arqueológico da Índia") colocou um sinal na entrada do forte Bhangarh, proibindo a entrada depois de escurecer. Moradores dizem que quem tentou permanecer dentro do sítio após o pôr do sol nunca mais saiu. No entanto, são essas lendas que continuam a atrair milhares de turistas todos os anos, ansiosos para experimentar a assombrada e amaldiçoada cidade de Bhangarh.

Suposto Canto de um Coral de Crianças em uma Fábrica Abandonada na Colômbia?






Por Marco Faustino

Uma equipe de notícias de uma emissora de TV colombiana foi até o povoado de "La Siberia", conhecido na região como o "povoado fantasma", localizado a poucos minutos do município de La Calera, no departamento de Cundinamarca, na Colômbia. No local havia funcionado uma fábrica de cimento por 80 anos, mas hoje tornou-se uma fonte de lendas e também de fenômenos paranormais. Durante a gravação do que sobrou da igreja e da delegacia de polícia, a equipe testemunhou uma canção que durou vários minutos, aparentemente vinda do nada.

Caso queira conhecer mais sobre o local prossiga lendo o histórico abaixo, caso contrário vá direto para o final desta postagem onde é fornecida uma explicação plausível para o que teria acontecido, certo?

De Fábrica Próspera a Povoado Fantasma

Tudo começou quando um grupo de empresários denominado "Sociedade Filhos de Miguel Samper & Company" decidiu em 1906 comprar na região de La Calera, a Fazenda "La Siberia" por 10.000 libras esterlinas, para construir um ambicioso projeto que viraria um marco no futuro da indústria da Colômbia. 

Em 1909 foi criada uma mina de calcário, que se tornou a mais importante e de maior pureza do país, porém todo o material extraído da mina era transportado em lombo de burros para Bogotá.

Foi então que em 1927, a Cimento Samper inaugurou uma espécie de teleférico para transportar o calcário para uma outra fábrica chamada "Contador", que era uma espécie de ponto intermediário em algum lugar entre a mina na região da Siberia e Bogotá. Graças a este projeto, liderado por Antonio Morales Barcenas, o transporte de calcário foi aperfeiçoado, mas gradualmente o mesmo começou a se acumular na fábrica "Contador", e essa situação iria fazer que uma decisão, que se tornaria histórica, fosse tomada.


Em 1933 foi inaugurada uma estrutura monstruosa perto da mina, para centralizar a fabricação de cimento. Participaram da inauguração na época um representante do ex-presidente Olaya Herrera, os principais responsáveis pela indústria nacional colombiana e um pequeno exército de trabalhadores que ajudaram a construir a imensa chaminé, os depósitos, silos de armazenamento e um pesado forno dinamarquês Polysius, que produzia cerca de 150 toneladas de cimento por dia.

O monstro tinha um nome: La Siberia. A fábrica de cimento foi erguida como uma das realizações da construção colombiana, sendo que havia sido construída sob a supervisão de uma equipe alemã.

Ao longo dos anos La Sibéria foi sendo expandida por milhares de metros quadrados contando com três gigantescos fornos. A produção que inicialmente havia sido calculada em centenas de toneladas, excedeu os milhares com facilidade. No auge da sua produção "La Siberia" chegou a produzir 1.500 toneladas por dia, ou seja, 10 vezes mais do que se produzia no começo.

No entanto não era apenas isso que Siberia reservava. Ainda em 1933 a folha de pagamento da empresa cresceu e seus diretores decidiram erguer algumas edificações ao redor da fábrica. Foram construídas: uma igreja, escola para os filhos dos empregados, um centro de saúde, um refeitório para funcionários, creches, cooperativa, campo de futebol, lojas e farmácias. Dezenas de casas foram construídas em torno dela para abrigar 80 famílias que no começo não pagavam aluguel. Como qualquer grupo social, os moradores organizavam reuniões e celebrações que envolviam toda a comunidade. No auge cerca de 200 trabalhadores faziam o monstro produzir concreto 24 horas por dia para satisfazer a necessidade do progresso.

Ficha da matrícula de uma estudante, filha de um operário
de La Siberia, da escola Joaquín Samper (imagem: cartelurbano)
Muitas outras fábricas começaram a surgir na Colômbia, porém nenhuma delas produzia tanto quanto "La Siberia". Em 1967 a fábrica estava passando por um dos seus melhores momentos, porém a partir de 1982 a Cimento Samper começou a ter uma crise financeira após um período de recessão na economia do país. A empresa teria sido prejudicada por uma série de políticas trabalhistas, e também teve problemas com o sindicato, chegando a ter uma greve que interrompeu a produção por 6 meses. Havia também um problema principal e de ordem natural: o calcário da região estava chegando ao seu fim. Assim sendo pouco a pouco o monstro apresentava sinais de cansaço.

Em um manhã de 1996, os moradores do povoado testemunharam a primeira casa sendo abandonada. A partir desse dia, a cada semana havia pelo menos uma família a menos em La Siberia. Um ano depois, em 1997, um grupo chamado Cemex comprou a Cimento Samper, porém o fim da comunidade da Siberia, que durante anos parecia inevitável, chegou em 8 de agosto de 1998 quando a fábrica foi desativada restando apenas 12 trabalhadores. Os avanços tecnológicos na fabricação de cimento através dos anos, também deixaram obsoletas as enormes máquinas que foram instaladas na fábrica no início do século passado e assim a Cemex não tinha mais motivos para mantê-la funcionando. O povoado então se tornou "fantasma" e ficou parado no tempo.

Fábrica de Cimento e a Região de La Siberia Atualmente

A localidade hoje em dia se resume a ruínas, escombros corroídos pela ação do vento e da chuva, com muita vegetação por todas as partes e animais, porém também há muito lixo e o grafite, que devido a anos de "turismo" foi deixado em suas paredes. Muita infiltração por todos os lados e um cenário que muitos comparam com Chernobyl.

Visão dos silos e dos fornos da antiga La Siberia
(imagem: cartelurbano)
Pichações nas paredes dos prédios ao redor de La Siberia
(imagem: cartelurbano)
Laura Milena Garcia, coordenadora de projetos imobiliários da Cemex
diz que a fábrica não está abandonada (imagem: cartelurbano)
Entretanto ao que parece, existe um plano para mudar a paisagem: "A fábrica não está abandonada. Desde que as operações terminaram, nós estamos fazendo a retirada dos equipamentos aos poucos. Nós exploramos as possibilidades de desenvolvimento urbano nessa propriedade. Neste momento estamos fazendo todos os estudos em conjunto com entidades governamentais", explica Laura Milena Garcia, coordenadora de projetos imobiliários da Cemex, em uma entrevista no ano de 2013.

Dos 347 hectares que tem a Siberia, a Cemex planeja construir casas em 200 hectares, que de acordo com eles, são urbanizáveis. "Há 147 hectares de reserva florestal e estamos agindo de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. O desmantelamento da fábrica não apresenta nenhum risco ambiental. Não há resíduos que possam comprometer a reserva", completou Garcia.

Entretanto há um conflito de interesses, pois há uma série de impecilhos para que isso aconteça. Boa parte da região é protegida ambientalmente pelo governo.

Estado atual de conservação do interior de um dos prédios anexos a fábrica de cimento La Siberia (imagem: cartelurbano)

Foto do interior de um dos galpões de La Siberia, mostrando vidros quebrados, depredação e lixo por toda parte (imagem: cartelurbano)


Estado atual da antiga igreja do povoado de La Siberia e a visão do corredor de um dos prédios abandonados (imagem: cartelurbano)

A Cemex diz está em uma luta constante para evitar que as pessoas vão até o local, uma vez que eles dizem, que não há nenhum fantasma, fenômenos paranormais e tão pouco que o local não está abandonado, pois é uma propriedade privada. O estado atual como pode ser visto por diversas fotos não demonstra isso.

Fenômenos Paranomais e os Fantasmas de La Siberia

Inevitavelmente La Siberia passou a abrigar um ambiente propício para que moradores próximos da localidade eventualmente começassem a relatar fenômenos paranormais e fantasmas que supostamente assombram a região. O mais famoso fantasma na verdade seria de uma enfermeira que muitos relatam terem visto tanto de dia quanto de noite. Não somente dentro do complexo industrial, mas ao redor dele e na estrada. Esses relatos vêm desde que o centro de saúde de Siberia foi fechado. Os antigos ajudantes de enfermagem relatavam que viam luzes acesas dentro do posto, embora a luz já tivesse sido cortada há tempos. A partir disso passaram a ter relatos de pessoas que viram o vulto de uma suposta enfermeira pelo local ao mesmo tempo que passos eram ouvidos.

Grupos de jovens constantemente vão a La Siberia em busca
de experiências sobrenaturais (imagem: Youtube)
Com o passar do tempo o local virou palco para um show de horrores de grupos de jovens da capital Bogotá, que fazem visitas ao lugar por volta da meia-noite em busca de contatos paranormais.

Eventualmente, algumas pessoas que tomam conta do local, relatam ouvir sussurros e ver silhuetas humanas no escuro. Talvez seja a brisa assobiando e névoa espessa da própria floresta, mas algumas delas acreditam que são espectos que estão passando pelo purgatório e choram pelos pecados cometidos em vida.

Certa vez uma dessas pessoas relatou ter visto o filho de uma mulher, que era uma professora na escola. O rapaz chegou por volta da meia-noite para fazer uma serenata para ela.

O Suposto Canto de um Coral de Crianças nas Ruínas de La Siberia

Recentemente em uma notícia publicada em 9 de Junho de 2015, a repórter Valeria Chantré, do canal de notícias Caracol, da Colômbia,  disse que, durante uma visita ao povoado fantasma com sua equipe, ouviu um coral de crianças cantando "es María la blanca paloma" (algo como "Maria é a pombra branca"), um cântico religioso. No entanto, os moradores disseram que naquela noite havia uma procissão nos arredores e coro provavelmente veio destas pessoas, não de crianças fantasmas.

Candy Delgado, especialista em fenômenos paranormais
(imagem: Canal Caracol)
O canal de notícias consultou alguns especialistas. A especialista paranormal Candy Delgado, que foi até o local, assegurou que não havia sentido nenhuma energia no local, e o que tinha ocorrido no dia anterior poderia ser uma "manifestação". Em determinado momento ela chegou a dizer que uma sombra passou na sua frente.

"Eles querem que a gente descubra alguma coisa, querem esclarecer uma situação que estava obscura no passado", disse ela.

O áudio também foi levado a um especialista em telecomunicações, que disse que poderia ser um efeito Doppler, ou seja, o som foi originado de algum local perto do povoado e ressoou pelo ambiente montanhoso do local, o que poderia vir a coincidir com o relato dos moradores próximos sobre uma procissão. Assista ao vídeo da notícia do Canal Caracol clicando aqui.

Muitos acreditam que são apenas histórias, e que não existe nada além de escombros e ruínas. Vale ressaltar que a entrada na antiga fábrica é ilegal, pois a propriedade é privada e a Cemex proíbe a entrada, embora eles não possam controlar o fluxo de pessoas curiosas, visto que a propriedade é muito extensa.

Muitos outros relatos serão contados ao longo do tempo no "povoado fantasma" de La Siberia, que sepultou toda uma região próspera bem como a esperança dos cidadãos na época. Os passos ecoados em La Siberia podem ser das próprias pessoas que vão contemplar o cenário apocalíptico do local, que outrora inspirava um punjante povoado.

Entenda o "Misterioso Som" Detectado Por Cientistas, que Estaria Vindo das Profundezas do Mar do Caribe



Por Marco Faustino

Há cerca de duas semanas, principalmente entre os dias 21 e 23 de junho, muitos sites internacionais de notícias e até mesmo sies brasileiros, começaram a propagar uma notícia sobre o caso sobre um misterioso "som", que teria sido detectado no Mar do Caribe, por pesquisadores que estavam estudando as variações de massa nos oceanos. Pois bem, essa notícia foi praticamente transmitida com uma série de elementos e termos técnicos, que são desconhecidos por boa parte das pessoas. Aliás, muitos títulos refletiam que muitos autores do textos, nem mesmo sabiam a exata dimensão sobre o que estavam escrevendo, por mais interessante que o assunto fosse. Afinal, quando as pessoas juntam um "som desconhecido", com uma boa pitada de mistério, resulta em uma fórmula quase infalível de sucesso quando falamos sobre a quantidade de acessos e compartilhamentos para um determinado site de notícias. Para vocês terem uma ideia, vi muitos sites utilizando palavras tais como "unearthly" ("não terrestre" ou "que não é da terra", em português) e "emanating" ("emanando"). Alguns outros sites diziam que o som poderia ser "escutado" do espaço, mas que os seres humanos eram incapazes de ouví-lo.

A situação foi bem mais complicada para muitas pessoas que entraram nesses sites, compartilharam o conteúdo a esmo, e saíram sem entender muito bem o que foi escrito ou então saíram pensando que havia alguma ligação com o famoso "The Hum" (considerado um fenômeno ou um conjunto de fenômenos, envolvendo relatos generalizados de um zumbido de baixa frequência, um tanto quanto persistente e invasivo, mas que nem toda a população consegue ouvir). O que foi descoberto no Mar do Caribe está muito, muito longe mesmo de ser comparável ao "The Hum", ou seja, é completamente absurdo e surreal supor qualquer coisa nesse sentido (por mais que o próprio "The Hum" tenha explicação na absoluta maioria dos casos). O "The Hum" é geralmente relatado por ser propagado em uma frequência bem baixa, entre 30 a 80 Hz, sendo que o ouvido humano é capaz de ouvir frequências, na melhor das hipóteses, entre 20 (frequência mais grave) e 20.000 Hz (frequência mais aguda). Essa proximidade do limite da frequência mais grave que um ser humano pode escutar, faz com que nem todos escutem (afinal, nossa audição vai se deteriorando com o tempo por diversos fatores). Resumindo, escutaríamos com perfeição apenas se todos nós fôssemos "elefantes" saudáveis. No caso do "som" do Mar do Caribe nem sendo elefante adiantaria, visto que o mesmo possui uma frequência infinitamente menor. Explicaremos isso no final dessa postagem.

Inicialmente eu havia lido sobre o assunto, e não tinha cogitado fazer nenhuma postagem sobre o caso. Considerava que não era algo tão relevante ou que houvesse qualquer tipo "associação misteriosa" com os casos que geralmente divulgamos. Vale destacar, no entanto, que o mês de junho foi bem "barulhento". Em meados do mês passado, publiquei uma matéria sobre o "misterioso" som que vem tirando o sono dos moradores da comunidade de Windsor-Essex, no Canadá, há pelo menos cinco anos, que foi muito bem recebida e aceita por vocês tanto no blog, quanto em nosso canal no Youtube. Tivemos também umaatualização sobre aquele " misterioso barulho" em uma casa de Americana, e também sobre os "estranhos" sons da cidade de Uberlândia. De qualquer forma, em uma conversa que tive com o Mateus no final da semana passada, ele comentou que muitas pessoas estavam mandando mensagens, e pedindo para que comentássemos sobre esse "misterioso som" que estaria vindo do Mar do Caribe. Assim sendo, resolvi fazer essa postagem para vocês. Vamos saber mais sobre esse assunto?

Antes de abordarmos essa notícia, é necessário que expliquemos alguns elementos que fazem parte dela, que no caso seriam as "ondas de Rossby". Não é algo muito simples de entender, porém iremos tentar explicar um pouco mais do que foi divulgado, para que vocês possam compreender melhor o que foi noticiado, certo?

As Ondas Atmosféricas de Rossby


Quando tive o primeiro contato sobre essas "ondas de Rossby" confesso que fiquei um tanto quanto confuso para compreendê-las, visto que muitos sites diziam que elas se movimentavam de leste para oeste (como se fosse da Ásia em direção a América), porém os gráficos associados quase sempre apontavam setas que seguiam na direção oposta, ou seja, de oeste para leste (como se fosse da América em direção a Ásia). Isso realmente estava dando um nó na minha cabeça.

Assim sendo entrei em contato com a Samantha Martins, bacharel em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP), que já trabalhou com modelagem numérica voltada à interação entre a atmosfera e o oceano no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e atualmente trabalha em uma Estação Meteorológica, onde realiza atividades como apoio à pesquisa, organização do banco de dados e atendimento de escolas e visitantes em geral.  Ela também é responsável pelo site Meteorópole (uma fusão entre as palavras Meteorologia e Metrópole), no qual ela fala sobre os problemas das cidades grandes, das metrópoles (enchentes, poluição do ar etc.), assim como sobre a meteorologia no campo, na praia, e nos mais diversos ambientes.

Samantha Martins, bacharel em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP),
é responsável pelo site Meteorópole (ma fusão entre as palavras Meteorologia e Metrópole).
A feliz coincidência é que a Samantha é inscrita em nosso canal no Youtube, e sempre acompanha o que postamos, o que foi muito legal em saber. Convido a todos que conheçam o trabalho dela, e deixo aqui registrado o meu agradecimento pela disponibilidade e tempo que ela teve em conversar comigo sobre "ondas de Rossby".

Imagem exemplificando as correntes de jato polar
e subtropical no Hemisfério Norte
Inicialmente tentaremos explicar da forma mais simplificada possível sobre as" ondas de Rossby" em relação a atmosfera terrestre, e posteriormente explicaremos as ondas de Rossby oceânicas, que são as mais importantes para uma melhor compreensão sobre o que foi divulgado em relação ao Mar do Caribe. Resolvi comentar primeiro sobre as ondas de Rossby atmosféricas para que vocês tenham uma base para entender as oceânicas, caso contrário seria um conteúdo simplesmente "jogado ao vento".

Para entender sobre ondas de Rossby é necessário que você conheça rapidamente um pouco sobre correntes de jato ou simplesmente jatos (em inglês, jet streams), que são basicamente correntes de ar que ocorrem na atmosfera, e foram descobertas durante as incursões aéreas na Segunda Guerra Mundial. As correntes de jato mais poderosas são os jatos polares, que ocorrem entre 7 e 12 km (entre as latitudes de 40° a 70°) acima do nível do mar, e os jatos subtropicais, que ocorrem entre 10 e 16 km (entre as latitudes 20° e 30°) também acima do nível do mar.

Imagem criada pela editoria de arte da Folha de São Paulo para ilustrar parte da notícia "Correntes de vento rápidas explicam ondas de calor e frio", publicada em março de 2014.
Cada um dos hemisférios Norte e Sul possuem tanto um jato polar quanto um jato subtropical, sendo que seus percursos são determinados por formas sinuosas. É interessante notar que as correntes de jato são provocadas pela combinação da rotação do planeta sobre o seu eixo e o aquecimento da atmosfera, ou seja, o ar frio desce, e o ar quente sobe, e nisso vão se formando poderosas e acentuadas ondas.

A parte interessante dessa história, é que a corrente principal segue de oeste para leste (da esquerda para a direita), acompanhando evidentemente o movimento de rotação da Terra, porém a curvatura dessas correntes chega a um ponto de ficar tão acentuada a oeste, que acabam formando ondas que se movem no sentido contrário, porém bem lentamente, retardando assim a migração global das cristas (regiões alongadas de alta pressão) e cavados (regiões alongadas de baixa pressão). A sequência dessas curvaturas acentuadas das correntes de jato polar e subtropical em direção a oeste é que são as "ondas de Rossby". Por mais que você veja muitos gráficos com setas apontando para leste, saiba que aquilo é como se fosse um retrato generalizado das correntes. As "ondas de Rossby" existem, e se movimentam sempre de leste para oeste.

A sequência dessas curvaturas acentuadas resultante da intesificação das correntes de jato polar e subtropical
em direção a oeste é que são as "ondas de Rossby"
As "ondas de Rossby" são um fenômeno bem grande. Tão grande que sua escala é planetária. Essas ondas possuem amplitudes e comprimento de onda são comparáveis ao tamanho de um continente (geralmente superior a 3000 km), e ocupam várias linhas de latitude e longitude. Como dissemos anteriormente, essas ondas são parte de padrões permanentes da atmosfera.

As ondas são resultado da distribuição continente/oceano, da distância Terra-Sol, dos movimentos de rotação e translação e da inclinação do eixo da Terra, ou seja, elas existem dessa maneira, porque nosso planeta possui essas características fixas. Se considerarmos uma onda como algo formado por uma crista e um cavado (uma parte baixa e uma parte alta e assim sucessivamente), temos entre 3 a 6 ondas como essas circulando pelo nosso planeta (sempre localizadas em latitudes médias e altas) nos trópicos, e por volta de 5.500 metros de altitude. Podemos dizer, portanto, que as ondas de Rossby são um fenômeno natural, e nada mais do que o resultado do "escoamento" da atmosfera.

Por mais que você veja muitos gráficos com setas apontando para leste, saiba que aquilo é como se fosse um retrato generalizado das correntes. As "ondas de Rossby" existem, e se movimentam sempre de leste para oeste. Podemos dizer, portanto, que as ondas de Rossby são um fenômeno natural, e nada mais do que o resultado do "escoamento" da atmosfera.
Essas ondas possuem um importante papel no transporte de calor entre latitudes altas (mais próximas dos polos) e baixas (mais próximas do Equador). Se fôssemos considerar o Hemisfério Norte, na região do cavado, o ar frio se desloca para sul. E na região da crista, o ar quente se desloca para norte. Se fosse no Hemisfério Sul seria basicamente o inverso: o ar frio estaria se deslocando para norte e o ar quente estaria se deslocando para sul.

Na média e alta troposfera, os ventos de oeste apresentam uma trajetória ondulada, de cristas e cavados.
Se você estiver achando tudo isso uma loucura, não está sozinho(a) nisso. A Samantha Martins me explicou que até mesmo quem começa a aprender sobre isso na faculdade tem dificuldade para "vê-las", e os professores sofrem até que esse assunto entre na cabeça dos alunos. Então, se você entendeu essa explicação agradeça a ela, visto que foi a conversa com a Samantha, que abriu a minha mente para poder escrever sobre as ondas atmosféricas de Rossby.

Capa da revista Time, de 17 de dezembro de 1956, com uma
ilustração de Carl-Gustaf Arvid Rossby
Um dos primeiros a teorizar sobre as "correntes de jato", e todos esses movimentos da atmosfera de grande escala foi Carl-Gustaf Arvid Rossby (não é a toda que essas ondas em questão são chamadas de "ondas de Rossby"), um meteorologista sueco que atuou na primeira metade do século XX.

Ele foi um dos primeiros a explicar esses movimentos de larga escala usando equações da mecânica dos fluidos. Suas fundamentais contribuições para o campo da Meteorologia receberam destaque na edição de 17 de dezembro de 1956 da revista Time.

É interessante notar que ele saiu na capa da Time, meses antes de morrer. Na capa podemos ver uma ilustração de Rossby com seu inseparável cachimbo e ao fundo, nuvens, raios e chuva, sobrepostos por linhas de pressão (isóbaras) e linhas com barbelas que indicam a velocidade e direção do vento. Carl Rossby acabou se tornando o primeiro meteorologista a estar na capa de uma revista de renome internacional.

Por volta daquela mesma época (mais precisamente na década de 30), ele também teorizou a existência de grandes ondas, se movimentando bem lentamente, sempre de leste para oeste, só que nos oceanos. O maior problema, é claro, é que elas eram muito difícies se serem comprovadas, algo que só foi possível com o advento da oceanografia por satélite. É justamente sobre isso que vamos comentar a partir de agora.

As Ondas Oceânicas de Rossby


Segundo o site do Centro Oceanográfico Nacional de Southampton, no Reino Unido, as ondas de Rossby, também conhecidas como ondas planetárias, são um dos fenômenos naturais mais intrigantes. Elas são "facilmente" observadas na atmosfera, ou seja, como "curvaturas acentuadas das corrente de jato", em direção a oeste, em grande escala, nas latitudes médias, mas a existência delas nos oceanos, primeiramente teorizadas por Carl-Gustav Rossby, na década de 1930, tinha sido apenas indiretamente confirmada antes do advento da oceanografia por satélite.

Foto da fachada do prédio do Centro Oceanográfico Nacional de Southampton, no Reino Unido
A grande diferença na escala horizontal e vertical dessas ondas, é o que as que tornam tão complicadas de serem observadas. Além disso, muitas vezes eles podem não ser tão intermitentes, mas em vez disso pode assumir a forma de "ondas solitárias", ou seja, geradas por um único "solavanco" no mar. De qualquer forma, sua escala horizontal é da ordem de centenas de quilômetros, enquanto que a "altura da onda" na superfície do mar é de apenas poucos centímetros (movimentando-se para cima e para baixo), e praticamente impossível de ser mensurada com técnicas convencionais ou até mesmo a olho nu.

A grande diferença na escala horizontal e vertical dessas ondas, é o que as tornam tão complicadas de serem observadas. A escala horizontal é da ordem de centenas de quilômetros, enquanto que a "altura da onda" na superfície do mar é de apenas poucos centímetros (movimentando-se para cima e para baixo).
Outra característica importante é que eles sempre viajam de leste a oeste (são fisicamente incapazes de viajar na direção oposta), seguindo os paralelos, e de forma bem lenta. A velocidade varia com a latitude, e aumenta em relação ao Equador, mas ainda assim é de apenas alguns cm/s (ou alguns quilômetros por dia, como você preferir). Isso significa que em latitudes médias (digamos, 30º N ou 30º S) uma onda oceânica de Rossby pode levar meses, ou até mesmo anos, para cruzar, por exemplo, o Oceano Pacífico. Sim, é isso mesmo que você leu, em alguns casos elas podem atravessar uma bacia oceânica inteira. Se uma onda de Rossby surgisse a partir da Costa Oeste dos Estados Unidos, poderia levar até 10 anos para chegar no Japão.

O vídeo abaixo mostra a altura da superfície do mar em relação à sua média ao longo prazo: o que aparece em vermelho indica que está acima do normal, o que aparece em azul indica que está abaixo do normal. As pertubações que se movimentam lentamente, se propagando na direção oeste, em ambos os "lados em relação a linha do Equador", no Oceano Pacífico, são ondas oceânicas de Rossby (fiquem atentos em 0:34):



É importante mencionar que o vídeo acima é o resultado de 15 anos de dados (entre janeiro de 1993 e dezembro de 2007) obtidos das anomalias em relação a altura da superfície do mar (em mm) a partir dos satélites TOPEX/Poseidon e Jason-1 (logo comentaremos sobre eles). Evidentemente, o vídeo está acelerado para que todo esse volume de dados pudesse ser reproduzido no menor tempo possível, caso contrário o vídeo seria extremamente longo.

Vale ressaltar também que essas ondas podem aparecer em qualquer oceano, não somente no Oceano Pacífico, e algumas delas podem atravessar a Terra completamente. Apesar de "praticamente invisíveis", algumas pessoas podem pensar que elas não exercem nenhuma influência sobre nosso planeta, o que é completamente errado de se pensar.

Elas têm efeitos importantes sobre a circulação do oceano em grande escala, e, portanto, em relação ao tempo (condições meteorológicas) e do clima. Talvez o mais importante efeito das ondas oceânicas de Rossby seja sentido nas correntes de contorno oeste, tal como a "Corrente do Golfo", que por sua vez é é uma corrente marítima potente, rápida e quente do oceano Atlântico, originada no Golfo do México, escapando pelo estreito da Flórida, seguindo a costa leste dos Estados Unidos, se extendendo até a Europa, e tornando os países a oeste do continente europeu mais quentes do que eles seriam sem essa corrente.

Imagem mostrando a corrente do Golfo (em destaque no círculo vermelho) e a corrente de Kuroshio
(em destaque no círculo azul escuro)
As ondas de Rossby pode intensificar as correntes, assim como empurrá-las para fora de seus cursos normais. Se considerarmos que essas correntes transportam grandes quantidades de calor, podemos facilmente compreender que mesmo a menor das mudanças pode afetar drasticamente o tempo em grandes áreas do nosso planeta. E isso já pode ter acontecido na prática. Em 1994, oceanógrafos do Laboratório de Pesquisas Navais dos Estados Unidos mapearam uma onda que concluíram ser um vestígio do El Niño, ocorrido entre 1982 e 1983. Os cientistas acharam evidências de que a onda estava empurrando a corrente de Kuroshio, localizada próximo à costa do Japão, em direção ao norte. Isso fez com que a temperatura da região norte do Pacífico aumentasse. Os pesquisadores concluíram que essa mudança teve um importante papel em inundações registradas em 1993 no Oeste dos Estados Unidos.

Entretanto, tudo isso só foi possível graças ao satélite chamado "TOPEX-Poseidon" ("Topography Experiment/Poseidon", em inglês), que foi enviado ao espaço em 10 de Agosto de 1992, em uma missão conjunta da NASA (a conhecida agência espacial norte-americana) e do CNES (Centro Nacional de Estudos Espaciais da Agência Espacial da França), para mapear a topografia da superfície dos oceanos. Foi assim que as ondas de Rossby puderam ser finalmente comprovadas.



Ela foi o primeiro satélite voltado especificamente para pesquisas oceanográficas, e a missão TOPEX/Poseidon revolucionou a oceanografia atestando as vantagens do uso de satélites para observações oceânicas. O famoso oceanógrafo Walter Munk descreveu essa missão como "o experimento oceanográfico de maior sucesso em todos os tempos". O mesmo foi sucedido pelo satélite "Jason 1" (2001), "Jason 2" (2008) e "Jason 3" (2013).

Em um texto publicado no caderno "Ciência e Vida", no jornal "O Globo", em em 22 de Abril de 1996, foi mencionado que observações feitas na época pelo satélite TOPEX-Poseidon mostravam que as ondas oceânicas de grande tamanho, conhecidas como ondas de Rossby alteravam a dinâmica de correntes marinhas, e a temperatura correspondente na superfície. Por isso, influenciavam o mecanismo pelo qual os oceanos lançavam calor na atmosfera, e seriam capazes de afetar os padrões climáticos, além de carregar a memória de mudanças do clima em lugares distantes. Assim sendo, cientistas da NASA e do Colégio de Ciências Oceânicas e Atmosféricas na Universidade do Estado de Oregon em Corvallis, nos Estados Unidos, usaram as informações coletadas pelo satélite para monitorar as ondas à medida que elas se movimentavam pelo mar. Os pesquisadores determinaram que, nas latitudes média, as ondas Rossby se deslocam até três vezes mais rapidamente do que diziam as antigas teorias. Entre a crista de uma onda de Rossby e outra, existe uma distância de milhares de quilômetros.  Conforme dissemos anteriormente, essas ondas são resultado natural da rotação da Terra, e elementos chaves para a circulação oceânica em larga escala.

"Todo estudante de primeiro ano em oceanografia física aprende sobre as ondas de Rossby. No entanto, observá-las tem sido uma tarefa extremamente difícil, porque causam mudanças no nível do mar de apenas dez a 20 centímetros e se espalham por milhares de quilômetros. Elas se movem rumo ao Oeste tão vagarosamente, que uma onda pode levar mais de dez anos para atravessar o Oceano Pacífico, na latitude de Los Angeles, e mais de 30 anos na latitude da cidade de Veneza, na Itália", disse na época Victor Zlotnicki, oceanógrafo do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, em Pasadena, nos Estados Unidos. Ele também explicou que, graças ao TOPEX-Poseidon, foi possível observar claramente as ondas de Rossby pela primeira vez.

A Notícia Sobre um "Estranho e Misterioso Som" que Estaria "Emanando" do Mar do Caribe


Agora que você conhece um pouco mais sobre as "ondas de Rossby" pode seguir com o assunto que começou a circular nos sites de notíciais internacionais e também de cunho científico, por volta dos dias 21 e 23 de junho desse ano. Todas elas se baseavam em um estudo publicado online na dia 19 de junho, por uma revista cientifíca sobre Geociências, com revisão por pares, chamada "Geophysical Research Letters" da União Geofísica Americana (em inglês, "American Geophysical Union" ou "AGU"), que por sua vez é uma organização com fins não lucrativos de geofísicos que conta com cerca de 49.000 membros, que provêm de 140 países (dados referentes ao ano de 2006).

O estudo denominado "A Rossby whistle: A resonant basin mode observed in the Caribbean Sea" foi conduzido principalmente por pesquisadores do Centro Oceanográfico Nacional de Liverpool, no Reino Unido, localizado em um dos prédios da Universidade de Liverpool, mas o estudo não era bem o objetivo inicial dos pesquisadores. O objetivo dos mesmos, ao menos segundo o site da BBC Mundo, era analisar as variações de massa nos oceanos.

Foto da fachada do prédio que abriga o Centro Oceanográfico Nacional de Liverpool, no Reino Unido,
dentro das dependências da Universidade de Liverpool


Nos trópicos, o fundo do mar costuma ser muito tranquilo, e era isso que os pesquisadores esperavam encontrar quando se dispuseram a estudar o mar do Caribe. Segundo o site Science Alert, foram utilizados cerca de quatro modelos diferentes de atividade oceânica para tentar descobrir algumas das dinâmicas do oceano na região, mas nada encaixava como deveria.

Aliás, o interesse pela pesquisa daquela região é facilmente explicável. O mar do Caribe é uma parte importante do cinturão de circulação global, responsável pela formação de correntes que alimentam a "Corrente do Golfo". Caso tenhamos o intuito de entender como o nosso clima mudará no futuro, precisamos entender melhor como as águas quentes e frias se movimentam ao redor do nosso planeta.

Vale ressaltar nesse ponto que o Mar do Caribe é uma parte do Oceano Atlântico (um mar semiaberto tropical), a sudeste do Golfo do México, sendo delimitado pela América do Sul, América Central e as ilhas do Caribe, e abrange uma área de aproximadamente 2.754.000 km². O ponto mais profundo do mar é a fossa das ilhas Cayman, a 7.686 metros abaixo do nível do mar.

Mapa mostrando a localização do Mar do Caribe
Durante essa análise, eles rapidamente perceberam, que algo de "estranho" estava acontecendo. Os modelos continuavam mostrando oscilações de pressão em toda a bacia do mar do Caribe, que simplesmente não batiam com o resultado esperado.

professor Chris Hughes, da Escola de Ciências Ambientais
da Universidade de Liverpool, no Reino Unido
"Em vez de um solo marinho tranquilo, descobrimos grandes e inexplicáveis oscilações", disse o professor Chris Hughes, da Escola de Ciências Ambientais da Universidade de Liverpool, do Reino Unido, e principal autor do estudo, em entrevista para o site da "BBC Mundo".

"Estávamos observando a pressão do oceano através de modelos por razões bem diferentes, e esta região simplesmente não se encaixava", disse Chris Hughes,em entrevista para o site Gizmodo.

Para ter certeza se o "estranho" fenômeno era algo real, eles verificaram os níveis da água, e fizeram leituras da pressão a partir do fundo do Mar do Caribe entre os anos de 1958 e 2013. Eles também verificaram as leituras dos medidores das estações maregráficas (basicamente medidores das marés).

Além disso, eles também verificaram as medições do campo gravitacional na região por meio de dois satélites "gêmeos" do programa "Gravity Recovery And Climate Experiment" (sigla em inglês, GRACE), da NASA e do Centro Aeroespacial da Alemanha (DLR). Ambos registram as mudanças no campo gravitacional da Terra desde 2002. Essas variações ocorrem basicamente por mudanças no volume de água no planeta, movimentação de grandes massas de gelo, e também por fenômenos como terremotos. Resumindo, os satélites Grace fornecem medições detalhadas de anomalias no campo gravitacional da Terra.

Os satélites "gêmeos" Grace, durante a fase de construção dos mesmos. Ambos foram lançados em março de 2002, com o objetivo de fornecer medições detalhadas de anomalias no campo gravitacional da Terra.
Entretanto, essas surpreendentes oscilações não eram resultados de um erro nas análises: elas aconteciam de fato. O resultado dos modelos coletados foram variações estranhas na pressão, e um "som" muito parecido ao de uma "vibração elétrica", a uma frequência tão baixa, que não podia ser captada pelo ouvido humano, mas era possível de ser detectado com a ajuda dos satélites Grace. Confira uma versão "acelerada e amplificada desse "som", em um canal de terceiros no Youtube:



Assim sendo, os pesquisadores descobriram que a bacia hidrográfica do mar do Caribe agia como se fosse um "apito gigante", dando um interessante apelido para esse fenômeno: "Apito de Rossby". Notaram algum nome conhecido?

As Razões do Fenômeno ser Apelidado de  "Apito de Rossby", e a Comparação com um Apito Comum


Foi exatamente isso que você leu, Rossby. A "causa" deste som é uma grande onda, conhecida como onda de Rossby, que viaja de leste para oeste através do oceano. Ela surge e "desaparece" quando atinge o oeste da bacia do Caribe, sendo que o intervalo de duração da onda é de 120 dias, ou seja, demora cerca de 120 dias para que as ondas se propaguem de leste para oeste, produzindo um tom "lá bemol", cerca de muitas oitavas abaixo do que um piano normal conseguiria reproduzir (cerca de 30 oitavas abaixo do normal).

Logo após "desaparecer" na costa oeste, ela reaparece na costa leste para então voltar a atravessar a região. Estranho, não é mesmo? Porém, esse "desaparecimento" já tinha sido captado alguns anos atrás. Na época, ele foi apelidado de "Buraco de Minhoca de Rossby". Agora, os pesquisadores descobriram que a onda não "desaparece de verdade" e ainda por cima interage intensamente com o fundo do mar, causando uma espécie de "assovio". Os cientistas agora sabem que ondas ressoam quando batem nessa "parede" a oeste, assim como certas frequências ressoam quando você assopra um apito. Em ambos os casos, a frequência ressonante produz um som.

O intervalo de duração da onda é de 120 dias, ou seja, demora cerca de 120 dias para que as ondas se propaguem de leste para oeste, produzindo um tom "lá bemol", cerca de muitas oitavas abaixo do que um piano normal conseguiria reproduzir
Quando você assopra um apito, o jato de ar torna-se instável, e estimula a onda de som ressonante de acordo com a cavidade do apito. Como o apito possui uma abertura, o som irradia para que você possa ouví-lo. Porém, uma vez que a bacia do mar do Caribe é muito grande se comparada a um apito, a frequência de ressonância é extremamente baixa

"Uma corrente oceânica flui através da região, se torna instável e estimula uma ressonância de um tipo raro de onda chamada Rossby. Como o mar do Caribe é parcialmente aberto, ele faz uma troca de águas com o resto do oceano. Isso nos permite "escutar" a ressonância com instrumentos para medir a gravidade", disse Chris Hughes, no estudo publicado na revista Geophysical Research Letters.

Curiosamente, esse fenômeno só ocorre nessa parte do planeta devido a três fatores:

"Trata-se de uma bacia relativamente pequena. A onda atravessa toda a região, e o mais importante é que a corrente oceânica faz com que haja uma instabilidade", completou.

Este fenômeno pode fazer o nível do mar variar em até 10 cm ao longo da costa da Colômbia e da Venezuela. Compreendê-lo pode ajudar a prever qual a probabilidade de inundações costeiras acontecerem. Além disso, trata-se de uma descoberta muito importante para tentar entender como os oceanos irão responder a estas variações climáticas em diversas partes do mundo no futuro.

Este fenômeno pode fazer o nível do mar variar em até 10 cm ao longo da costa da Colômbia e da Venezuela. Compreendê-lo pode ajudar a prever qual a probabilidade de inundações costeiras acontecerem
Os pesquisadores acreditam que o "Apito de Rossby" pode ter um impacto em todo o Atlântico Norte, regulando o atual fluxo na corrente do Caribe, que é  precursora da "Corrente do Golfo", que já comentamos anteriormente sobre a sua importância. Os pesquisadores estão planejando investigar esse fenômeno ainda mais a fundo, para entender melhor como isso tudo afeta a dinâmica oceânica.

Toda Essa Divulgação Sobre o "Misterioso Som Emanando do Caribe" Foi Exagerada?


Pois é, AssombradOs, apesar de tudo, aparentemente houve um certo exagero por parte da mídia em divulgar sobre o "Apito de Rossby", sendo que é justamente sobre isso que iremos falar a partir de agora. Vamos nos basear no excelente texto escrito por Jacqueline Ronson, redatora de assuntos científicos do site de entretenimento, ciência e tecnologia, chamado Inverse.com.

Conforme vocês puderam perceber, e assim como acontece muitas outras notícias científicas, o "conto do Apito de Rossby" está longe de ser fácil de ser entendido. Entenda que o mar do Caribe não está realmente fazendo uma espécie de barulho (ou ruído), uma vez que um barulho (ou um ruído) normalmente se refere às vibrações de comprimentos de onda que podem ser ouvidas. O oceano está vibrando, mas com uma frequência de várias oitavas mais baixas do que a faixa de frequência dos sons audiveis pelo ser humano. Essas vibrações estão sendo medidas como energia gravitacional por satélites orbitando da Terra. Dizer que elas podem ser ouvidas a partir do espaço é tão somente uma metáfora. É análogo ao dizer que podemos "ouvir" colisões de buracos negros a 1,3 bilhões de anos-luz de distância; que tem mais a ver com a sensibilidade do instrumento de medição, do que a magnitude do sinal.

Jacqueline Ronson, redatora de assuntos científicos,
do site Inverse.com
Entretanto, isso não significa que o que está acontecendo no mar do Caribe não seja algo extremamente único e muito legal ao mesmo tempo, visto que os pesquisadores nunca viram nada como isso antes.

Eis o que está acontecendo: Existe um tipo especial de onda chamada de "onda de Rossby", que viaja através dos mares do planeta. Ela é bem diferente das ondas normais do oceano, e você não pode observá-la sem instrumentos especiais. Essas ondas tem uma altura bem pequena (cerca de alguns centímetros), e um período muito longo. Ela demora 120 dias para percorrer o Mar do Caribe uma única vez.

Agora vem a parte estranha: Quando a onda de Rossby atinge a bacia do Caribe, ela simplesmente desaparece, e reaparece no outro lado da bacia. Imagine se ondas normais parassem de repente, e a superfície da água ficasse plana. Imaginou? Em seguida, um pouco mais adiante, surgem novamente ondas como se o movimento nunca tivesse parado. É basicamente isso que eles quiseram dizer, um fenômeno tão estranho que os cientistas apelidaram de "Buraco de Minhoca de Rossby".

A questão é que a energia das ondas não desaparece, simplesmente não é visível durante algum tempo na superfície. Em vez disso, a energia é transferida para as profundezas dentro da bacia, onde interage com o fundo do mar, formando ondas de compressão relacionadas com as alterações de pressão no fundo do mar. É essa interação que produz as vibrações pulsantes detectadas no espaço. Os satélites estão medindo uma mudança rítmica na energia gravitacional, que está relacionada com a alteração de massa da bacia, conforme a onda de Rossby avança através dela.

Temos também outra razão para a analogia ao som: a interação entre a bacia e a água avançando através dela tem a mesma dinâmica física de um apito. Imagine que seu sopro é a onda de Rossby, e a bacia do Caribe é a câmara de um apito. O fluxo desce através da cavidade, e como resultado temos a liberação de uma vibração. Os seus ouvidos, neste caso, são os satélites, que estão detectando as ondas de energia que são liberadas. Entendeu? Segundo Jacqueline Ronson, você escuta o som em frequências vibracionais entre 20 e 20.000 ciclos por segundo (Hertz), porém esses ciclos vibracionais de Rossby acontecem uma vez a cada 120 dias, o que resulta em cerca de 0.000000096 hertz. Portanto, não é realmente som, mas se você acelerá-lo digitalmente, assim como você faria com sua própria voz para deixá-la parecida com a voz dos esquilos do filme "Alvin e os Esquilos", então você conseguirá ouví-lo. Foi exatamente isso que os pesquisadores fizeram, e foi repassado como se o som fosse exatamente aquele, quando não é verdade.

Enfim, acho que agora vocês sabem exatamente o que foi detectado, e tem a disposição, através dessa postagem, um material bem completo sobre esse assunto. É bom deixar claro mais uma vez que isso não tem nenhuma relação com o "The Hum", e não passa de um fenômeno natural, que evidentemente será melhor pesquisado no futuro. Esperamos que tenham gostado!
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